A briga pelo 14º lugar (ou “como ter uma temporada irrelevante”)

Posted: April 5th, 2010 | Author: | Filed under: Premier League | Tags: , , | 1 Comment »

Manchester United, Chelsea e Arsenal brigam pelo título; Tottenham, Manchester City, Liverpool e Aston Villa pela quarta vaga na Liga dos Campeões; e West Ham, Burnley e Hull City tentam se manter na primeira divisão. Faltando cinco rodadas para o final da Premier League, a briga é boa nessas três partes da tabela. Mas tem outra disputa que também pode – ou não – chamar a atenção.

Atualmente, o Wolverhampton Wanderers soma 33 pontos e ocupa a 14ª posição, enquanto Bolton, com a mesma pontuação, e Wigan, com 31, aparecem na sequência.. O West Ham, primeiro fora da zona de rebaixamento, tem 28 (o Hull City tem 27 e é o primeiro na zona). O Sunderland, 13º, tem 38. Assim, uma interessante “briga” foi criada entre as três equipes pela 14ª posição, que não significa absolutamente nada no campeonato, mas que pode premiar o menos irregular entre os mais irregulares do certame.

Os três postulantes à 14ª posição têm algo em comum. Primeiro, estão em uma zona relativamente confortável, já que somam quatro ou cinco pontos a mais do que o primeiro no grupo dos rebaixados. Segundo, porque não têm chance nenhuma de ficar muito acima da 14ª posição. E, por último, por causa da irregularidade: foram capazes de bater grandes fora de casa, ser humilhados por outros em seus domínios, empatar jogos fáceis, ganhar difíceis. Tudo pode acontecer quando eles entram em campo e o resultado mais possível pode ser também o mais improvável.

O Wigan tomou 9 a 1 do Tottenham em White Hart Lane. Nove a um. NOVE A UM.

O Wigan tomou 9 a 1 do Tottenham em White Hart Lane. Nove a um. NOVE A UM.

Recém-promovido, os Wolves tiveram um começo ruim, com apenas duas vitórias e dez pontos nas primeiras 14 rodadas da Premiership. As vitórias foram de certa forma inesperadas – na segunda rodada, no DW Stadium, o time de Mick McCarthy bateu o Wigan, e, no Molineux, conquistaram a primeira vitória como mandantes diante do Fulham na sexta rodada.

Depois foram oito jogos sem vitória – coloque aí os primeiros pontos do Portsmouth na competição, conquistados nos domínios dos Wolves na oitava rodada. Na 15ª rodada, finalmente uma nova vítima foi feita. E foi o… Bolton. E, logo depois, o postulante a uma vaga na Liga dos Campeões, Tottenham, foi batido em pleno White Hart Lane. Os Spurs, aliás, não pontuaram contra os Wolves. Na segunda partida, no Molineux, nova vitória da equipe de Mick McCarthy, também por 1 a 0.

No dia 15 de dezembro, Mick McCarthy entrou em uma polêmica ao escalar reservas para um duelo contra o Manchester United. A argumentação do técnico dos Wolves é que a partida era praticamente perdida e o cotejo seguinte, contra o Burnley, era mais importante para a sua equipe que brigava contra o rebaixamento. Resultados: uma derrota esperada por 3 a 0 contra o Manchester United e uma vitória por 2 a 0 contra o Burnley. O time continuou misturando resultados possíveis com inesperados e improváveis ao longo das seguintes rodadas, até o glorioso terceiro mês de 2010.

Sem ser exatamente um destaque, Kevin Doyle é o artilheiro dos Wolves: sete gols na Premier League

Sem ser exatamente um destaque, Kevin Doyle é o artilheiro dos Wolves: sete gols na Premier League

O mês de março foi definitivamente o ponto alto da equipe na temporada. Após resistir o máximo para entregar um jogo contra o Manchester United – o único gol da partida, marcado por Paul Scholes, foi feito aos 31 da segunda etapa – o Wolverhampton conseguiu sua maior sequência positiva na temporada, com quatro jogos sem perder – duas vitórias e dois empates. As vitórias foram fundamentais para afastar o time da zona de rebaixamento – contra Burnley e West Ham, e as duas fora de casa. Os empates, contra Aston Villa e Everton, foram conquistados na casa do adversário. Nesta 33ª rodada, a primeira do mês de abril, os Wolves voltaram a complicar para um dos grandes – o Arsenal só foi marcar o gol da vitória no Emirates aos 48 do segundo tempo.

Já a temporada do Bolton pode facilmente ser dividida em dois momentos: a fase Megson e a fase Coyle. A primeira foi sob o comando de Gary Megson, mandado após um improvável empate contra o Hull City na Reebok Arena. Na ocasião, o clube ocupava a 18ª posição. Para seu lugar foi contratado Owen Coyle, que fazia um impressionante trabalho comandando o Burnley, deixando o clube fora da zona de rebaixamento, inclusive.

Com Megson, foram quatro vitórias, seis empates e oito derrotas. O Bolton teve um início terrível com três derrotas logo de cara, até finalmente vencerem o Portsmouth na quarta rodada no Fratton Park. Entre outros improváveis resultados estão uma vitória contra o Birmingham em St. Andrews – que, aliás, foi a última vez que os Blues foram derrotados em seus domínios, e um empate contra o Manchester City na Reebok Arena, segurando um dos candidatos a Liga dos Campeões em um momento em que todos acreditavam em mais uma derrota do Bolton. Após uma sequência de quatro jogos sem perder – três empates e uma vitória fora de casa contra o West Ham, Megson foi demitido, com Coyle sendo contratado para o seu lugar.

A estreia de Coyle não podia ser pior: dois jogos em sequência contra o Arsenal, e duas derrotas logo de cara. Logo depois veio o Burnley e a primeira vitória. Logo após o triunfo, uma nova sequência negativa – cinco jogos sem vencer e nem ao menos marcar um gol. Quando o rebaixamento parecia cada vez mais próximo em Bolton, veio a recuperação – uma vitória contra os Wolves em casa e uma contra o West Ham em Londres, que jogaram os Trotters para a 13ª posição. Desde então, novas sequências improváveis – goleado por 4 a 0 contra o Sunderland e batendo o Wigan pelo mesmo resultado na rodada seguinte, tomando 4 a 0 do Manchester United em casa e, logo depois, contra um Aston Villa que vinha de um humilhante 7 a 1 contra o Chelsea, nova derrota dos Trotters: 1 a 0 para os Villans na Reebok Arena.

Ex-atacante do Bolton, Coyle chegou no meio da temporada e está conseguindo livrar os Trotters do rebaixamento

Ex-atacante do Bolton, Coyle chegou no meio da temporada e está conseguindo livrar os Trotters do rebaixamento

Mesmo sem encaixar um momento bom, nem mesmo um exatamente péssimo (apesar das três derrotas consecutivas), o Bolton vai conseguindo se manter na Premier League por mais uma temporada, sem chamar a atenção de ninguém. Sem incomodar, mas também sem agradar.

O Wigan fez o seguinte: ganhou do Chelsea e empatou com o City no DW Stadium, ganhou um e perdeu um contra o Liverpool, e, ao mesmo tempo, no placar agregado, levou DOZE A UM do Tottenham (9 a 1 em White Hart Lane, 3 a 0 em Wigan) e DEZ A ZERO contra o Manchester United (5 a 0 em ambas as partidas). Isso, acredito, é o suficiente para resumir a temporada dos Latics – é o time que tem capacidade de parar o Chelsea em casa ao mesmo tempo que é humilhado pelo Tottenham no White Hart Lane.

Com tamanha irregularidade, não é difícil entender porque a temporada dos três times será facilmente esquecida: não há absolutamente nada relevante feito por algum deles. Talvez o Wigan de 2009/10 seja lembrado pela impiedosa goleada por 9 a 1 sofrida contra o Tottenham, ou os Wolves ficarão marcados como um time que conseguiu ficar na Premier League. Tirando isso, não há nada aproveitável que tenha sido feito pelas três equipes, que agora apenas brigam para ver quem será o menos entre os mais irregulares.


Um Comentáriot on “A briga pelo 14º lugar (ou “como ter uma temporada irrelevante”)”

  1. 1 Felipe said at 20:05 on April 8th, 2010:

    Cansou de fazer gol pelo Reading, esse Doyle


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