Posted: August 23rd, 2010 | Author: Daniel Junqueira | Filed under: Football Conference | 2 Comments »
Um final de semana sem futebol é sempre triste, como todos sabemos. A ausência de um jogo qualquer faz com que os nossos dias fiquem vazios e sem sentido. No futebol inglês, esse final de semana será o dos dias 4 e 5 de setembro. No dia 3, sexta-feira, o English Team entrará em campo para enfrentar a Bulgária em Wembley. É um final de semana das chamadas “Datas Fifa”, aqueles dias que os mandatários do futebol mundial separam para a realização de amistosos entre seleções ou outros eventos esportivos.
Assim, ligas inteligentes (o que exclui o Campeonato Brasileiro) são interrompidas. Na Inglaterra, a interrupção pegará a Premier League e a Championship (Football League One e Two continuarão). Para os amantes do futebol não se sentirem solitários e os dias não ficarem vazios, um grupo de torcedores — liderados por James Doe, adepto do Harrow Borough F.C., da Isthmian League Premier Division, a sétima divisão do futebol inglês — criou o “non-league day“, previsto para o dia 4 de setembro. Com uso inteligente das mídias sociais, esses torcedores criaram um mapa com a ajuda do Google Maps para listar todos os jogos que serão realizados nas “não-ligas”, ou seja, nos campeonatos da quinta divisão para baixo, normalmente formado por times amadores, e também na primeira fase da FA Vase, copa organizada pela Football Associaton para times que não estão em uma das quatro primeiras divisões do futebol inglês.
Através do site, Doe faz um apelo aos torcedores dos clubes grandes ingleses. “Com a Inglaterra jogando na noite anterior e a Premier League e a Championship fazendo uma pausa, eu peço que todos os torcedores dos clubes grandes assistam seus times locais que não estão nas ligas no dia 4 de setembro. Dada a atual conjuntura financeira, clubes fora da Football League precisam de todo o apoio que puderem conseguir, então a sua presença em um jogo será genuinamente apreciada. Com ingressos e bebidas baratas, o que está te impedindo?”, escreveu o idealizador do projeto.
Segundo o autor do “Non-League Day”, os jogos das divisões inferiores representam a “verdadeira alma do futebol”, que não foi corrompido pelo dinheiro que movimenta os times das duas principais divisões do futebol inglês. Concordando ou não com isso, não deixa de ser uma excelente ideia para ajudar os torcedores a encontrarem um bom programa para um triste sábado sem futebol.
Posted: July 15th, 2010 | Author: Felipe Castro | Filed under: Championship, Chuveirinho, Seleção Inglesa | Tags: Copa do Mundo | No Comments »

Natal, Ano Novo, o futebol inglês não para.
A Copa do Mundo acabou e os ingleses naufragaram de novo. 4-1, derrota constrangedora para os rivais alemães (que se vingaram não só da Copa de 66 mas deste jogo aqui também) e um conceito tipicamente inglês foi colocado em xeque: a tradição dos jogos em datas próximas ao Natal e Ano Novo, como o Boxing Day, a rodada completa no dia 26 de dezembro. O desempenho pífio do English Team reacendeu a polêmica questão do winter break (período de férias em inter-temporada europeia) ser finalmente adotado para amenizar o desgate de seus jogadores no pós-temporada, e foi o técnico italiano Fabio Capelloi o homem da vez a questionar o calendário entupido local - para comparar, os alemães tem três semanas de folga no fim do ano, os italianos tem duas.
Sven-Göran Eriksson, Kevin Keegan e Steve McLaren, ex-treinadores do English Team, também já bateram nesta tecla. Mas a Premier League tratou de se manter firme e rechaçar quaisquer mudanças na agenda doméstica. Mais do que isso: jogou a culpa no colo da Football Association, a CBF da Ilha Mãe, que supostamente prima por uma agenda lotada justamente para acomodar os cotejos da FA Cup e da Carling Cup – ou seja, as ligas não tem nada a ver com o desgate físico dos selecionáveis. Não mesmo?
A despeito dessa briga, o treinador de seleções mais bem pago do mundo também teve sua porcentagem no fiasco, claro, como ao abrir mão de jogadores como Ashley Young, Adam Johnson, Leighton Baines e Gabriel Agbonlahor para insistir nas velhas peças não-funcionais de sempre, com Emile Heskey despontando como principal xodó do italiano – reserva de Carew no Aston Villa e mais recente jogador aposentado do English Team. Mas uma análise mais profunda não cabe aqui, e sim aos caras do Ortodoxo e Moderno e outros blogs de futebol inglês de primeira linha. No Chuveirinho, o que interessa é saber se o B-side, o outro lado do disco do futebol inglês também fez bom trabalho em esburacados campos sulafricanos.
Jonas foi mais longe
Quando, no começo de junho, as listas finais das seleções do Mundial foram divulgadas, eram 11 os jogadores da Football League Championship, a série B do lado de lá do Canal da Mancha. Pouco? Bem, era mais do que o dobro dos jogadores da Série A do Campeonato Brasileiro na Copa (5).
Marek Cech, Jay DeMerit, Rory Fallon, Adam Federici, Jonas Gutierrez, Gonzalo Jara, Brad Jones, Chris Killen, Robert Koren, Tommy Smith e Chris Wood foram os solitários segundinos. Com dois australianos (Federici e Brad Jones) no gol e 9 jogadores de linha, o time fictício dos representantes da Championship ficaria escalado assim, no 3-4-2:
Federici (Jones); Jara, DeMerit e Cech; Jonas Gutiérrez, Koren, Killen e Smith; Fallon e Wood
Destes, apenas os arqueiros dos Socceroos permaneceram o tempo todo no banco. Os demais todos entraram, sendo Jonas Gutiérrez, do Newcastle e da Albiceleste, aquele que chegou mais longe no Mundial (quartas-de-final). Mark Schwarzer, experiente goleiro do Fulham, teve a sombra de Federici por perto, mas não a de Jones. Explico. Brad Jones deixou a concentração australiana há exatos 7 dias da estreia dos Socceroos contra a Alemanha porque seu filho foi diagnosticado com suspeita de câncer. Jones imediatamente voou para a França, onde estava sua ex-mulher, e não retornou mais à África do Sul.
Desfalque para o time da Football League Championship, que ficou com 10 atletas (9 em campo). Mas teve quem fizesse bom trabalho também.
Gonzalo Jara, zagueiro do Chile e do West Bromwich Albion: A máxima de que a defesa chilena é uma das mais frágeis das Américas passa pela baixa estatura de todos os zagueiros, que, com exceção de Ponce e o péssimo Fuentes, não ultrapassam 1,80m. Mas Gonzalo Jara confere um ritmo diferente, com agilidade e boas antecipações. Na Copa, porém, foi um pouco irregular. Entrou na segunda etapa contra Honduras, fez jogo mediano com a Suiça e teve sua melhor performance justo no jogo mais difícil da primeira fase, contra a Espanha. Na partida com o Brasil, mostrou-se indeciso e mal posicionado como quase todos os companheiros. Subiu com o WBA para a Premier League na última temporada.
Jay DeMerit, zagueiro dos EUA e do Watford: Jogando no time amarelo do Elton John desde 2004, Jay DeMerit começou a chamar atenção de Bob Bradley apenas no ano passado, quando foi convocado para o elenco vicecampeão da Copa das Confederações. “Presenteado” com a contusão de Bocanegra naquela ocasião, DeMerit entrou no time titular norteamericano e não saiu mais. Quando Bocanegra voltou, foi a vez de Onyewu rodar. O zagueiro do Milan não se recuperou bem de contusão e DeMerit foi titular em todos os jogos na África do Sul com atuações seguras. Pouco teve culpa na eliminação.
Marek Cech, lateral da Eslováquia e do West Bromwich Albion: Ex-lateral do Porto, Cech chegou à Copa credenciado como um dos eslovacos com mais experiência internacional. Mas foi sacado do time a partir do segundo jogo: Kornel Salata, contra o Paraguai, e Radoslav Zabavnik, contra Itália e Holanda, foram seus substitutos; Cech não voltou mais, e, apesar da ótima campanha dos compatriotas, não fez uma boa Copa no geral. Esperava-se mais. Apenas 90 minutos e um mau futebol jogado.

Los Pumas 1x0: Tackle de Jonas sobre Obasi
Jonas Gutiérrez, lateral/ala da Argentina e do Newcastle United: Engraçado. Essa palavra diz muito sobre o que foi Jonas na Copa. Não podia mesmo dar coisa boa um argentino cabeludo de 1,82m e ombros largos jogando improvisado na lateral-direita de uma equipe de notável qualidade técnica – do meio pra frente, claro. “É jogador de rugby?”, perguntavam as pessoas não muito habituados com a figura. Não, Jonas não é da equipe de Los Pumas, e sim titular da Albiceleste. A útlima impressão é a que fica e a sua imagem foi bastante comprometida. O bom e regular Gutiérrez do Mallorca, do Newcastle e do fim das Eliminatórias foi sacrificado por culpa das vaidades de Maradona, que não chamou o expert na posição, Javier Zanetti. O winger dos Magpies fez uma péssima estreia na lateral e um mau segundo jogo com a Coreia. Dali em diante, Otamendi, outro que também não agradou, tomou seu lugar. Chegou às quartas, mais longe do que o resto dos representantes da Championship, mas Koren, DeMerit e Wood fizeram melhor Copa do que ele.
Robert Koren, volante da Eslovênia e do West Bromwich Albion: Desde 2007 no West Brom e com 50 jogos pela seleção eslovena – onde é o capitão -, Koren também pode se gabar de ter sido o solitário representante da Championship a marcar um gol na Copa – mais do que Wayne Rooney fez em duas, veja só você. E não foi um gol qualquer. Quem acordou na manhã de domingo do dia 13 de junho, viu um jogo feio entre Argélia x Eslovênia, mas também assistiu ao tento do capitão esloveno, e um belo frango do goleiro Chaouchi. Atuações seguras contra EUA no primeiro tempo e mediana contra a Inglaterra. Mas o gol foi o suficiente para dar uma boa moral a Koren, que saiu por cima no Mundial. O esloveno se desligou do WBA ao fim da temporada e agora é free agent.
Chris Killen, meia-atacante da Nova Zelândia e do Middlesbrough: Camisa 10 da Nova Zelândia e com responsabilidade grande por jogar no maior dentre todos os times onde atuam seus compatriotas, Killen não fez uma boa Copa. Sumido em todos os confrontos, mais valeu para dar lugar à Wood na estreia. Foi um verdadeiro nota 5 no Mundial. Atacante revelado pelo Manchester City, vale dizer que Killen teve que jogar um pouco recuado, como um ponta-de-lança atrás de Fallon e Smeltz, o que pode ter prejudicado sua atuação. O neozelandês deixa o Boro e está livre para transferência; é mais um free agent na praça.
Tommy Smith, lateral da Nova Zelândia e do Ipswich Town (emprestado ao Brentford): Tommy Smith tinha a concorrência do experiente Tony Lochhead no flanco esquerdo. Por isso, foi deslocado para o lado da zaga, atuando junto do tarimbado capitão Ryan Nelsen (do Blackburn) e de Winston Reid, autor do gol de empate com a Eslováquia. O desempenho foi razoável: Smith, nascido em 1990 na Inglaterra mas desde os 8 anos no país da Oceania, mostrou segurança na posição. Acertou 34 dos 49 passes na estreia com a Eslováquia. E, apesar de ter sido o autor do pênalti em De Rossi no segundo jogo, fez, no geral, uma boa Copa de estreia.
Rory Fallon, atacante da Nova Zelândia e do Plymouth Argyle: Depois de ser o herói dos All Whites e marcar o gol da classificação ao Mundial no ano passado, Fallon viveu um 2010 de altos e baixos: caiu com o Plymouth Argyle para a League One (terceira divisão) mas fez parte do elenco neozelandês que saiu da Copa do Mundo da África como único time invicto. E jogou os 3 jogos. Fallon mais reclamou do juiz (e tomou 1 amarelo) do que efetivamente jogou nesta Copa, mas tudo bem. Seu companheiro de ataque Shane Smeltz assustou muito mais as zagas adversárias e chamou para si a atenção; tudo bem também. A Nova Zelândia foi a única seleção invicta e é isto que interessa.

Jóia rara em Hawthorns, Chris Wood fez uma Copa interessante pelos All Whites
Chris Wood, atacante da Nova Zelândia e do West Bromwich Albion: Terceiro jogador mais jovem da Copa, depois dos nascidos em 1992 Vincent Aboubakar, de Camarões, e Christian Eriksen, da Dinamarca, Chris Wood foi uma das armas neozelandesas para o segundo tempo nesta Copa. O técnico Ricki Herbert lançou mão do jogador nascido em dezembro de 1991 em duas partidas. Numa deles, contra a Itália, Wood, de 1,91m, deu um drible sensacional em ninguém menos do que Fabio Cannavaro e chutou rente ao gol de Marchetti. Participação curta, mas promissora. Pode ser uma boa surpresa na Premier League este ano.
Veja o lance de Chris Wood em Cannavaro a partir do 1\’03\’\’
Faltou alguém
Relembrando os jogadores citados neste post do Chuveirinho, as ausências ficaram por conta dos australianos Rhys Williams e Scott McDonald, que estão representados no Álbum da Copa mas foram cortados da lista final de Pim Verbeek; o cordobês Fabricio Coloccini, pouco aproveitado na reta final da preparação argentina, mas que, ainda assim, tinha alguma chance com Maradona; o argelino Hameur Bouazza, do recém-promovido Blackpool, cortado da lista dos 23 da Argélia mesmo tendo marcado o gol derradeiro na prorrogação contra a Costa do Marfim na Copa das Nações Africanas em janeiro; e, por fim, o marfinense Aboulaye Meité, ex-lateral do Bolton e atualmente no West Bromwich Albion, outro preterido pelo treinador, o sueco Sven-Göran Eriksson.
É bom ressaltar que todos os citados no post de hoje jogaram a temporada 2009-2010. Excluímos, portanto, os atletas dos times novos para 2010-2011, como os dos rebaixados na Premier League Hull City, Burnley e Portsmouth (este com inúmeros jogadores na África), que oficialmente ainda não disputaram a segundona – a temporada só começa dia 6 de agosto, com o jogo Norwich City x Watford, e você terá mais detalhes sobre as divisões inglesas abaixo da Premier League ainda este mês no Chuveirinho.
Posted: April 18th, 2010 | Author: Daniel Junqueira | Filed under: Premier League | 1 Comment »
Apesar de ser disputado desde 1894 (primeira partida em 3 de novembro de 1894 no antibvo Estádio Hyde Road, antiga casa do City), o derby de Manchester nunca teve tanta importância como a adquirida na atual temporada. O milionário investimento feito pelos Citizens, junto com o sempre em boa fase time de Alex Ferguson, fizeram com que a disputa entre as duas equipes fosse uma atração a parte, como se fosse uma briga dos novos ricos contra o multicampeão dos últimos anos. E, bem… era mais ou menos assim.
O City pode ter começado a temporada sonhando com títulos, mas a ideia foi logo abandonada. Ainda assim, os confrontos com o United tiveram importância fundamental na classificação da Premier League e também na Copa da Liga – os times se enfrentaram na semifinal. Dos quatro duelos, os Red Devils saíram vitoriosos em três. Todos os jogos, aliás, foram exatamente o que se esperava: grandes confrontos e resultados apertados, decididos apenas nos acréscimos.
O primeiro encontro entre United e City na temporada foi no dia 20 de setembro de 2009. Em Old Trafford, Rooney abriu o marcador aos cinco minutos e Barry empatou aos 16. No começo da segunda etapa, Fletcher voltou a colocar os Red Devils em vantagem, mas Bellamy deixou tudo igual quatro minutos depois. Já no fim do jogo, o escocês marcou novamente, mas Bellamy, aos 45 minutos, empatou. O 3 a 3 já era histórico, mas não, mais alguma coisa devia acontecer. E lá foi Michael Owen garantir a vitória aos 51 minutos (isso mesmo). Primeiro confronto entre os dois e primeira vitória do United nos acréscimos. E, acreditem, isso aconteceria de novo.
No City of Manchester, os times se encontraram pela semifinal da Copa da Liga. No primeiro jogo, um show de Tevez garantiu a vitória do City: 2 a 1 (dois do argentino e um de Giggs para o United). Na semana seguinte veio a volta, no Old Trafford. No segundo tempo, Scholes colocou o United em vantagem e Carrick fez o gol que estava garantindo a classificação dos Red Devils. Até Tevez diminuir aos 31, resultado que levava o jogo para a prorrogação. Daí, aos 47 da segunda etapa, Rooney fez o gol que levou o United para a sua segunda final consecutiva da Copa da Liga – que se tornaria também o segundo título seguido dos Red Devils, que bateram o Aston Villa.

Scholes marcou pela sétima vez contra o City em sua carreira e garantiu mais uma vitória nos acréscimos para o United
O quarto jogo era fundamental para os dois times. No City of Manchester, os Citizens precisavam vencer para se manter na quarta posição e continuar a busca por uma vaga na Liga dos Campeões. Já o United precisava da vitória para seguir na cola do líder Chelsea, que estava com quatro pontos de vantagem. Aos 48 da segunda etapa, Paul Scholes, de cabeça, marcou seu sétimo gol contra o City na história e garantiu mais uma importante vitória para o United na temporada, e mais uma vez decidida nos acréscimos.
Já em Londres…
Outro jogo da rodada de fundamental importância para a definição da Premier League foi outro clássico local, em Londres. No White Hart Lane, o Tottenham, que no meio da semana bateu o Arsenal em sua casa por 2 a 1, recebia o líder Chelsea. Os Spurs venceram mais um duelo local e pelo mesmo placar – 2 a 1 (resultado que não reflete o que aconteceu dentro de campo, com um Tottenham bastante superior ao Chelsea) – e esquentaram a briga tanto pelo título da temporada (restando três rodadas, a distância do ainda líder Chelsea para o Manchester United é de apenas um ponto) quanto pela última vaga na Liga dos Campeões (os Spurs passaram o City e agora somam 64 pontos, contra 62 dos Citizens. Ambas as equipes têm quatro jogos para disputar).
O Arsenal… ah, o Arsenal. Arsene Wenger jogou a toalha depois do jogo contra o Tottenham, mas os resultados do sábado devolveram aos Gunners o sonho do título. Aí, contra o Wigan, o Arsenal conseguiu abrir 2 a 0 no marcador fora de casa, mas também assistiu os Latics, que não brigam por nada, virarem no fim do jogo. É isso, o título voltou a ficar distante do Emirates.
A próxima rodada reserva alguns excelentes jogos entre os times de cima. O Tottenham, empolgado após vencer dois rivais locais em casa, viaja para Manchester para enfrentar o United. Já o Arsenal recebe o City em jogo fundamental para os Citizens, mas nem tão importante para os Gunners. O Chelsea, enquanto isso, tem um aparentemente tranquilo duelo contra o Stoke City em Stamford Bridge.
Nessas rodadas finais, o jogo mais interessante será no dia 5 de maio, uma quarta-feira. No City of Manchester, os dois postulantes à quarta vaga na Liga dos Campeões, City e Tottenham, se enfrentarão no penúltimo jogo da temporada. Os Spurs podem garantir o retorno à principal competição europeia nesse dia (a única participação do Tottenham foi na antiga Copa da Europa na temporada 1961-62, sendo eliminado na semifinal pelo Benfica). O City disputou a mesma competição na temporada 1968-69 e foi eliminado logo na primeira fase pelo Fenerbahçe.
Posted: April 5th, 2010 | Author: Daniel Junqueira | Filed under: Premier League | Tags: bolton, wigan, wolverhampton | 1 Comment »
Manchester United, Chelsea e Arsenal brigam pelo título; Tottenham, Manchester City, Liverpool e Aston Villa pela quarta vaga na Liga dos Campeões; e West Ham, Burnley e Hull City tentam se manter na primeira divisão. Faltando cinco rodadas para o final da Premier League, a briga é boa nessas três partes da tabela. Mas tem outra disputa que também pode – ou não – chamar a atenção.
Atualmente, o Wolverhampton Wanderers soma 33 pontos e ocupa a 14ª posição, enquanto Bolton, com a mesma pontuação, e Wigan, com 31, aparecem na sequência.. O West Ham, primeiro fora da zona de rebaixamento, tem 28 (o Hull City tem 27 e é o primeiro na zona). O Sunderland, 13º, tem 38. Assim, uma interessante “briga” foi criada entre as três equipes pela 14ª posição, que não significa absolutamente nada no campeonato, mas que pode premiar o menos irregular entre os mais irregulares do certame.
Os três postulantes à 14ª posição têm algo em comum. Primeiro, estão em uma zona relativamente confortável, já que somam quatro ou cinco pontos a mais do que o primeiro no grupo dos rebaixados. Segundo, porque não têm chance nenhuma de ficar muito acima da 14ª posição. E, por último, por causa da irregularidade: foram capazes de bater grandes fora de casa, ser humilhados por outros em seus domínios, empatar jogos fáceis, ganhar difíceis. Tudo pode acontecer quando eles entram em campo e o resultado mais possível pode ser também o mais improvável.

O Wigan tomou 9 a 1 do Tottenham em White Hart Lane. Nove a um. NOVE A UM.
Recém-promovido, os Wolves tiveram um começo ruim, com apenas duas vitórias e dez pontos nas primeiras 14 rodadas da Premiership. As vitórias foram de certa forma inesperadas – na segunda rodada, no DW Stadium, o time de Mick McCarthy bateu o Wigan, e, no Molineux, conquistaram a primeira vitória como mandantes diante do Fulham na sexta rodada.
Depois foram oito jogos sem vitória – coloque aí os primeiros pontos do Portsmouth na competição, conquistados nos domínios dos Wolves na oitava rodada. Na 15ª rodada, finalmente uma nova vítima foi feita. E foi o… Bolton. E, logo depois, o postulante a uma vaga na Liga dos Campeões, Tottenham, foi batido em pleno White Hart Lane. Os Spurs, aliás, não pontuaram contra os Wolves. Na segunda partida, no Molineux, nova vitória da equipe de Mick McCarthy, também por 1 a 0.
No dia 15 de dezembro, Mick McCarthy entrou em uma polêmica ao escalar reservas para um duelo contra o Manchester United. A argumentação do técnico dos Wolves é que a partida era praticamente perdida e o cotejo seguinte, contra o Burnley, era mais importante para a sua equipe que brigava contra o rebaixamento. Resultados: uma derrota esperada por 3 a 0 contra o Manchester United e uma vitória por 2 a 0 contra o Burnley. O time continuou misturando resultados possíveis com inesperados e improváveis ao longo das seguintes rodadas, até o glorioso terceiro mês de 2010.

Sem ser exatamente um destaque, Kevin Doyle é o artilheiro dos Wolves: sete gols na Premier League
O mês de março foi definitivamente o ponto alto da equipe na temporada. Após resistir o máximo para entregar um jogo contra o Manchester United – o único gol da partida, marcado por Paul Scholes, foi feito aos 31 da segunda etapa – o Wolverhampton conseguiu sua maior sequência positiva na temporada, com quatro jogos sem perder – duas vitórias e dois empates. As vitórias foram fundamentais para afastar o time da zona de rebaixamento – contra Burnley e West Ham, e as duas fora de casa. Os empates, contra Aston Villa e Everton, foram conquistados na casa do adversário. Nesta 33ª rodada, a primeira do mês de abril, os Wolves voltaram a complicar para um dos grandes – o Arsenal só foi marcar o gol da vitória no Emirates aos 48 do segundo tempo.
Já a temporada do Bolton pode facilmente ser dividida em dois momentos: a fase Megson e a fase Coyle. A primeira foi sob o comando de Gary Megson, mandado após um improvável empate contra o Hull City na Reebok Arena. Na ocasião, o clube ocupava a 18ª posição. Para seu lugar foi contratado Owen Coyle, que fazia um impressionante trabalho comandando o Burnley, deixando o clube fora da zona de rebaixamento, inclusive.
Com Megson, foram quatro vitórias, seis empates e oito derrotas. O Bolton teve um início terrível com três derrotas logo de cara, até finalmente vencerem o Portsmouth na quarta rodada no Fratton Park. Entre outros improváveis resultados estão uma vitória contra o Birmingham em St. Andrews – que, aliás, foi a última vez que os Blues foram derrotados em seus domínios, e um empate contra o Manchester City na Reebok Arena, segurando um dos candidatos a Liga dos Campeões em um momento em que todos acreditavam em mais uma derrota do Bolton. Após uma sequência de quatro jogos sem perder – três empates e uma vitória fora de casa contra o West Ham, Megson foi demitido, com Coyle sendo contratado para o seu lugar.
A estreia de Coyle não podia ser pior: dois jogos em sequência contra o Arsenal, e duas derrotas logo de cara. Logo depois veio o Burnley e a primeira vitória. Logo após o triunfo, uma nova sequência negativa – cinco jogos sem vencer e nem ao menos marcar um gol. Quando o rebaixamento parecia cada vez mais próximo em Bolton, veio a recuperação – uma vitória contra os Wolves em casa e uma contra o West Ham em Londres, que jogaram os Trotters para a 13ª posição. Desde então, novas sequências improváveis – goleado por 4 a 0 contra o Sunderland e batendo o Wigan pelo mesmo resultado na rodada seguinte, tomando 4 a 0 do Manchester United em casa e, logo depois, contra um Aston Villa que vinha de um humilhante 7 a 1 contra o Chelsea, nova derrota dos Trotters: 1 a 0 para os Villans na Reebok Arena.

Ex-atacante do Bolton, Coyle chegou no meio da temporada e está conseguindo livrar os Trotters do rebaixamento
Mesmo sem encaixar um momento bom, nem mesmo um exatamente péssimo (apesar das três derrotas consecutivas), o Bolton vai conseguindo se manter na Premier League por mais uma temporada, sem chamar a atenção de ninguém. Sem incomodar, mas também sem agradar.
O Wigan fez o seguinte: ganhou do Chelsea e empatou com o City no DW Stadium, ganhou um e perdeu um contra o Liverpool, e, ao mesmo tempo, no placar agregado, levou DOZE A UM do Tottenham (9 a 1 em White Hart Lane, 3 a 0 em Wigan) e DEZ A ZERO contra o Manchester United (5 a 0 em ambas as partidas). Isso, acredito, é o suficiente para resumir a temporada dos Latics – é o time que tem capacidade de parar o Chelsea em casa ao mesmo tempo que é humilhado pelo Tottenham no White Hart Lane.
Com tamanha irregularidade, não é difícil entender porque a temporada dos três times será facilmente esquecida: não há absolutamente nada relevante feito por algum deles. Talvez o Wigan de 2009/10 seja lembrado pela impiedosa goleada por 9 a 1 sofrida contra o Tottenham, ou os Wolves ficarão marcados como um time que conseguiu ficar na Premier League. Tirando isso, não há nada aproveitável que tenha sido feito pelas três equipes, que agora apenas brigam para ver quem será o menos entre os mais irregulares.
Posted: April 2nd, 2010 | Author: Felipe Castro | Filed under: Championship, Cultura | Tags: Championship, copa, estrangeiros | 6 Comments »
Que a Premier League tem uma boa dose de gringos e especialmente extra comunitários, todo mundo sabe. Exemplos não faltam e vão desde o combalido Portsmouth, com seus oito africanos no elenco (até a próxima janela de transferências, claro), até o quase all-foreign time do Arsenal. Mas a surpresa mesmo recai no fato da Coca Cola Championship, a segundona do futebol na terra da Rainha*, também percorrer caminho semelhante. A Football League anunciou nesta quarta-feira, dia 31 de março, os quatro indicados a Melhor Jogador do Mês de Março na divisão imediatamente inferior à Premir League. O vencedor sairá no domingo 4 de Abril e a disputa contabiliza o experiente dinamarquês Peter Løvenkrands, ex-Schalke, hoje no Newcastle; o escocês Graham Dorrans, do West Bromwich Albion; o jovem islandês Gylfi Sigurdsson, do Reading e o marroquino Adel Taarabt, emprestado ao Queens Park Rangers pelo Tottenham. Notou algo?

No clássico galês da Championship, Chris Burke (d) esbraveja com o holandês do Swansea: o Cardiff de Burke tem apenas 7 gringos; o rival tem 15.
A ausência de jogadores da Inglaterra não assustaria se não estivéssemos falando da segunda divisão, a Championship, e não da Premier, onde a dominância dos tipos intrusos já é corriqueira. Dando uma passada pelos nominees das temporadas 2008/2009 e 2009/2010, nenhum mês sequer havia ficado com pelo menos dois atletas da casa entre os quatro indicados a Melhor do Mês. Traçando um raso paralelo com o Brasil, costumamos aceitar de imediato quando Petkovics, Valdivias, D’Alessandros e Tevez logram prêmios e conseguem imenso destaque na elite do futebol nacional em detrimento de jogadores genuinamente da casa. Mas ainda é um tanto inconcebível imaginarmos o mesmo cenário na Série B. Pois na divisão equivalente inglesa, isso já ocorre em larga escala, se é possível dizer.
A questão pôde ser observada com mais facilidade no momento em que um time grande, o Newcastle United, caiu da Premier para a Championship e trouxe consigo dois argentinos que possivelmente aparecerão na Copa do Mundo em junho: Jonas Gutiérrez, ex-Vélez e Mallorca, é peça-chave em La Albiceleste e queridinho de Maradona; Fabrico Coloccini ainda briga por vaga. Parece pouco, mas são dois jogadores de uma seleção favorita ao título mundial que atuam em uma segunda divisão na Europa e contribuem, portanto, com peso nas estatísticas: a Coca Cola Championship nunca esteve tão cosmopolita. São quase 200 estrangeiros na competição hoje, excluindo galeses, escoceses e norte-irlandeses.
O QPR, há três temporadas sob tutela do magnata da F-1 Flavio Briatore, disputa braçada a braçada com Crystal Palace, Scunthorpe, Watford e Sheffield Wednesday a permanência na Championship. Mas, mesmo em difícil situação, não se pode negar que os Rangers são um dos ponteiros no quesito “abertura a estrangeiros”. São 13 forasteiros – 14 se considerarmos o colombiano Angelo Balanta, que cresceu na Ilha e nunca atuou em clubes colombianos na base. Destaque da equipe no último mês, Adel Taarabt, marroquino revelado pelo Lens, estabeleceu-se como principal meio-campista do time de Shepherd’s Bush, no oeste de Londres. Mas a tendência que aponta para a invasão dos estrangeiros é ainda mais aguda: eles começam a ser pincelados ainda muito novos pelos times da segunda divisão (Taarabt e Gylfi Sigurdsson, dois dos candidatos a Melhor de Março, nasceram em 1989). É a receita do sucesso da Premier League sendo copiada nas camadas inferiores do futebol da Casa de Windsor*.

The Sig, como é chamado Sigurdsson, é um dos destaques dos Royals, em campanha de recuperação na Championship
Dois anos mais velho que o islandês e o marroquino, Graham Dorrans foi o Melhor Jogador da Scottish First Division na temporada 2007/2008, campeonato equivalente à segunda divisão na Escócia. O jovem escocês pode levar o prêmio da Football League no domingo, mas sua seleção não vai à Copa. Como consolo, seis dos seus teammates no West Bromwich Albion possivelmente viajarão à África do Sul para representar diferentes países: Robert Koren, pela Eslovênia; Marek Cech, da Eslováquia; Aboulaye Meité, pela Costa do Marfim; Chris Smith, pela Nova Zelândia; o goleiro Scott Carson – correndo por fora graças às poucas opções de que Capello dispõe, e Gonzalo Jara, pelo Chile. Os dois últimos com poucas chances. Como foi recentemente rebaixado e carrega consigo o pejorativo status de time iô-iô, o tradicional Albion, pentacampeão da FA Cup e detentor do título da primeira divisão inglesa na temporada 1919-20, também aposta nos valores de fora para voltar à Premier League.
Mas é o tarimbado dinamarquês Peter Løvenkrands que levanta a bandeira da maioria dos forasteiros. Já na casa dos 30 e com passagens pela seleção que viabilizaram sua chegada ao futebol inglês, Lovenkrands representa o perfil derradeiro da grande maioria dos foreigners na Championship: uma maioria de grandes andarilhos no futebol europeu e inglês. O que dizer, por exemplo, da legião espanhola no Swansea City? São seis ibéricos no time galês que disputa a Championship. Todos com mais de 25 anos e com passagens em mais de três times espanhóis – a maioria deles sem nenhuma representatividade no país da paella.
Uma prova de que o anseio dos segundinos ingleses em emular o espírito empreendedor da Premier League não olha para idade nem país – apostas em jogadores oriundos de países não-usuais têm acontecido muito nos últimos cinco anos. Uma rápida olhada nos gols e no noticiário da Football League e os sobrenomes ingleses típicos já estão dividindo manchete com outros tantos diferentes.
Confira a lista abaixo:
Relação de estrangeiros por time da Coca Cola Championship
(excluindo jogadores da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales)
Legendas: (nacionalidade) {nome do brasileiro} [jogador que estará presente na Copa 2010]
- Reading: 16 (Islândia 4, Irlanda 3, Mali 2, Austrália [Federici], Turquia, Polônia, Rep. Tcheca, Jamaica, Bulgária e Geórgia)
- Ipswich Town: 16 (Irlanda 9, Espanha, Canadá, EUA, Nova Zelândia [Smith], Argentina, Trinidad & Tobago e Bermuda)
- Swansea City: 15 (Espanha 6, Holanda 3, Jamaica, Argentina, Áustria, Canadá, Irlanda e Finlândia)
- West Bromwich Albion: 14 (Holanda 2, Irlanda 2, Eslovênia [Koren], Eslováquia [Čech], Costa do Marfim [Meité], Nova Zelândia [Wood], Chile [Jara], Rep. Tcheca, Suécia, Romênia, Canadá e Rep. Democrática do Congo)
- Queens Park Rangers: 13 (Hungria 2, Letônia 2, Argentina, Itália, Nigéria, Sérvia, Albânia, Irlanda, Jamaica, Rep. Tcheca e Antigua e Barbuda)
- Plymouth Argyle: 11 (Irlanda 2, França, Hungria, Islândia, Nova Zelândia [Fallon], Benin, Togo, EUA, Zimbábue e Rep. Democrática do Congo)
- Middlesbrough: 10 (Austrália 3 [Jones, Willians, McDonald], Nova Zelândia [Killen], Irlanda 2, Holanda, Argentina, França e Áustria)
- Newcastle United: 10 (Argentina 2 [Jonas e Coloccini], França, Espanha, Holanda, Hungria, Eslovênia, Austrália, Irlanda e Dinamarca)
- Barnsley: 10 (Jamaica 2, Brasil {Anderson Silva}, Argentina, Irlanda, Canadá, Portugal, Malta, Islândia e França)
- Crystal Palace: 9 (Irlanda 3, Argentina, Trinidad & Tobago, Austrália, França, Jamaica e Áustria)
- Sheffield United: 9 (Irlanda 4, Jamaica 2, Holanda, Estônia e Senegal)
- Leicester City: 7 (França 2, Irlanda 2, Bulgária, Suiça e Peru)
- Cardiff City: 7 (Nigéria 2, Irlanda 2, Hungria, Finlândia e França)
- Derby County: 6 (Irlanda 3, França 2 e Polônia)
- Sheffield Wednesday: 6 (Irlanda 3, EUA, Jamaica e Holanda)
- Scunthorpe United: 6 (Irlanda 5 e Barbados)
- Blackpool: 6 (Irlanda 3, Argélia [Bouazza], Jamaica e Serra Leoa)
- Coventry City: 6 (Irlanda 4, Grécia e Islândia)
- Preston North End: 5 (Irlanda 3, França e Macedônia)
- Bristol City: 5 (Jamaica, Holanda, Gana, Irlanda e Áustria)
- Peterborough: 4 (Irlanda 2, Rep. Democrática do Congo e Argentina)
- Nottingham Forest: 4 (Irlanda, Nigéria, França e Polônia)
- Watford: 3 (Eslovênia, EUA e Islândia)**
- Doncaster: 1 (Antilhas Holandesas)**
* eufemismos para inglês ou Inglaterra fazem parte do que há de mais chato no jornalismo.
** únicos times sem nenhum jogador da Irlanda.